Eu sabia que não poderia ter confiado a ela o meu coração, sabia que fazia de propósito todo o charme que havia me conquistado, e com certeza meu coração em sua mão foi motivo de vitória, apenas para ela.

Não posso me esquecer daqueles dias, juntos no acampamento de verão, qualquer menina poderia ter tomado minha atenção, porém aqueles cachos ruivos e aqueles olhos azuis se destacavam, não conseguia desviar daqueles pares de diamantes que brilhavam a cada raio de sol ou qualquer pequena iluminação da lua, é eu via estrelas…

No início pensei que seria apenas uma daquelas meninas que se pode ficar provocando e ela se sente incomodada, jogar algumas cantadas, um papo sem graça, fazer charme também e ser o mais bobo da roda, eu era bom nisso e sabia que mais meninas apreciavam toda essa “pinta”, porém ela fazia questão de me esnobar; não do corriqueiro desviando o olhar e corando rapidamente, ela me esnobava demonstrando que eu apenas era mais um menino naquele acampamento.

De manhã no refeitório não era apenas seus cabelos que pareciam fogo, mas a sua presença inundava o lugar, o som da sua risada poderia ser mais intenso do que o sol lá fora, e nada se comparava a simpatia que contagiava a todos, sim ela era única.

Então passei a imaginar que naqueles cinco dias que nos restavam algo deveria acontecer, não sabia ao certo o que, mas tinha certeza que não passaria em branco, eu havia notado ela, e todos os outros que estavam presentes, mas eu é quem deveria ser notado, e deveria me tornar único.

Enganado.

Comecei então a criar estratégias, e todas aos poucos foram dando errado. Último dia; e eu ainda continuava sendo um menino a mais no acampamento foi então que resolvi colocar as cartas na mesa, jogar limpo, me declarar. Ela riu. Pensou que era uma brincadeira. Percebeu que não era e apenas disse que eu era um cara engraçado. Depois, foi embora.

Eu sabia que não poderia ter confiado a ela o meu coração, sabia que fazia de propósito todo o charme que havia me conquistado, inclusive a cara de desentendida que não me enganou nem um pouco, não daquele jeito.

Mariana Emerim
Sou joinvilense, tenho 26 anos. Casada com Willian.
Formada em design gráfico e técnica em moda e estilismo.
Eu sou misto de conto de fadas e realidades, princesas e castelos, casa e trabalho.
Meu mundo tem as cores da vida e eu aprendi que a vida, se a gente quiser, pode ser mais colorida quando acreditamos.
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